quarta-feira

Carta Para João


Caro João,

Estranho começar essa carta escrevendo como se você fosse uma pessoa qualquer.

E sim, nós sabemos que você não é uma pessoa qualquer. Afinal de contas você já foi meu. E desculpa se isso lhe soar egoísta, confesso que nesse instante não consigo me importar com o que você acha. Não que isso seja ruim. Tampouco acho que bom.

Apenas acho, e isso é mais um dos meus achismos, que você não deveria ter se rendido a minha ausência de forma tão fácil. Sinto como se tivéssemos abandonado nossa jornada antes mesmo dela começar. Sinto que meus pés não saem do chão totalmente, o que com toda certeza me impede de levantar e seguir adiante em sua direção. Talvez eu seja um pouco covarde em não assumir meus medos.

Mas assumo que tenho medo de não ser mais aquele pelo qual você se apaixonou.

Afinal, somos feitos de uma matéria que exige que as mudanças ocorram, por menores que elas sejam. Tenho medo de você não me entender quando mais uma vez eu me postar à sua frente, limpo de corpo, porém vazio de alma. Até agora, de frente para essa tela em branco, me pergunto o por quê de me separar de você.

E antes que a pergunta se faça completa em minha cabeça eu já tenho a resposta. Separei-me por que nunca estivemos juntos. Nunca consegui trazer você realmente para perto de mim. (No fim era sempre eu contra mim mesmo). E você há de continuar em meus pensamentos e ações, só que cada vez menos presente, de forma que um dia essa dor que hoje insiste em permanecer no meu peito, já não mais existirá.

Não ter você dói de uma forma que você nem pode imaginar, mas sei que essa dor é necessária para que eu seja feliz um dia.

Pois estou expurgando do meu coração o que nele habita: você. E em quantidades absurdas. Mas vai passar. Eu espero.

Seja feliz.

Do seu,

PEDRO

Nathanael


RUBEM FONSECA


Sabe o que é duas pessoas se gostarem? Éramos nós dois, eu e Maria. Sabe o que é duas pessoas perfeitamente sintonizadas? Éramos nós, eu e Maria. Meu prato predileto é arroz, feijão, couve à mineira, farofa e lingüiça frita. Imagina qual era o de Maria? Arroz, feijão, couve à mineira, farofa e lingüiça frita. Minha pedra preciosa preferida é o Rubi. O de Maria, está vendo, era também o Rubi. Número da sorte o 7, cor o Azul, dia Segunda-Feira, filme, de Faroeste, livro O Pequeno Príncipe, bebida Chope, colchão o Anatom, clube o Vasco da Gama, música o Samba, passatempo o Amor, tudo igualzinho entre eu e ela, uma maravilha.

O que nós fazíamos na cama, rapaz, não é para me gabar, mas se fosse no circo e a gente cobrasse entrada nós ficávamos ricos. Na cama nenhum casal jamais foi tomado de tamanha loucura resplandecente foi capaz da performance tão hábil, imaginativa, original, pertinaz, esplendorosa e gratificante quanto a nossa. E repetíamos várias vezes por dia. Mas não era apenas isso que nos ligava:

  • Se você não tivesse uma perna eu continuaria te amando me dizia ela.
  • Se você fosse corcunda eu não deixaria de te amar eu respondia.
  • Se você fosse surdo-mudo eu continuaria te amando, dizia ela.
  • Se você fosse vesga eu não deixaria de te amar eu respondia.
  • Se você fosse barrigudo e feio eu continuaria te amando, dizia ela. Se você fosse toda marcada de varíola eu não deixaria de te amar, eu respondia.
  • Se você fosse velho e impotente eu continuaria te amando, ela dizia.

E nós estávamos trocando essas juras quando unia vontade de ser verdadeiro bateu em mim, funda com o uma punhalada, e eu perguntei a ela, e se eu não tivesse dentes, você me amaria? e ela respondeu, se você não tivesse dentes eu continuaria te amando. Então eu tirei a minha dentadura e botei em cima da cama num gesto grave, religioso e metafísico. Ficamos os dois olhando para a dentadura em cima do lençol, até que Maria se levantou, colocou um vestido, e disse, vou comprar cigarros. Até hoje não voltou. Nathanael, me explica o que foi que aconteceu

“O amor acaba de repente? Alguns dentes míseros pedacinhos de marfim, valem tanto assim?” Odontos Silva.

terça-feira

Quadrilhas... e cirandas...

QUADRILHA

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história

CHICO BUARQUE - FLOR DA IDADE

Marcelo Jeneci - A FELICIDADE


sábado

Garfield: Faces de Um Cinismo

NA FAZENDA:

ANIVERSARIO:

TELESPECTADOR:


NAMORO:

ARANHA#1:

FINJAM QUE EU NÃO ESTOU AQUI:

CÍNICO:

PENSAMENTOS:

 COLEIRA:


O gato Garfield é estrela de uma das tirinhas mais famosas da história, sendo publicado em 2570 jornais de todo o mundo (só perdendo para Peanuts). Os outros personagens principais são Odie, um cão estúpido, e Jon Arbuckle, um cartunista, dono dos dois. Garfield é criação de Jim Davis, que tirou o nome de seu avô James Garfield Davis (este teve seu nome inspirado pelo presidente americano James Garfield).

quinta-feira

AMOR EM QUATRO ATOS

Amor em Quatro Atos  é uma  minissérie brasileira que foi coproduzida pela Rede Globo, com produção da RT Features e produção executiva da Academia de Filmes. A minissérie, baseada nas canções do cantor Chico Buarque, é dirigida por Tande Bressane, Tadeu Jungle e Bruno Barreto, e adaptada por Antonia Pellegrino, Marcio Alemão Delgado, Estela Renner e Tadeu Jungle. A minissérie é inspirada nas seguintes canções de Chico Buarque: "As Vitrines", "Folhetim", "Ela Faz cinema", "Construção" e "Mil Perdões".




EPISÓDIO 01 - ELA FAZ CINEMA - Inspirado nas canções "Ela Faz Cinema" e "Construção", presentes, respectivamente, nos álbuns Carioca e Construção, o primeiro episódio abordou duas histórias simultâneas: a primeira é a de Letícia (Marjorie Estiano), uma cineasta que, noiva, se apaixona por um pedreiro (Malvino Salvador). Ela não revela a ele seu compromisso anterior - e ele omite sua profissão. A segunda é a de Rafic (Cacá Rosset), uma vendedor de comida árabe, que se apaixona pela voz da locutora da estação de trem na frente de sua barraca. É O único episódio onde há um narrador na estória.


EPISÓDIO 02 - MEU ÚNICO DEFEITO FOI NÃO SABER TE AMAR MELHOR - Inspirado na canção "Mil Perdões". A fidelidade do casal Lauro (Dalton Vigh) e Maria (Carolina Ferraz) é colocada à prova quando em uma festa na casa de praia do casal, chegam Dora (Gisele Fróes), ex-mulher de Lauro, e seu então namorado, Fernando (Dudu Azevedo), por quem Maria 

começa a se sentir atraída.



EPISÓDIO 03 - FOLHETIM - Inspirado na canção Folhetim, o terceiro episódio narra como Ary (Vladimir Brichta), após se desentender com sua esposa, Selma (Camila Morgado), cai na noite da Rua Augusta, onde conhece uma jovem prostituta chamada Vera (Alinne Moraes).


EPISÓDIO 04 - VITRINES - Inspirado na canção As Vitrines, é uma continuação do episódio anterior.



por thiago ribeiro



Aline - Apenas Pop

Aline é uma série de televisão brasileira produzida pela Rede Globo, escrita por Mauro Wilson, roteiro de Mauro Wilson, Cláudio Lisboa, Péricles Barros, Tatiane Bernardi, Manuela Dias, Zé Dassilva e Gabriela Amaral e com direção de Mauro Farias e Maurício Farias e núcleo de Maurício Farias e baseado nas tiras do mesmo nome de Adão Iturrusgarai.

Sinopse:

Aline namora Pedro  e Otto. Ela só quer curtir a vida com os dois, mesmo com alguns empecilhos, como a chata Dona Rosa, síndica do prédio onde os três moram e seu filho, Wallace, tarado por Aline. Aline trabalha em uma loja de discos onde o dono, Pipo, tem um caso com Rico, vendedor da loja e Max, também vendedor que gosta de Aline. Também tem os pais de Aline, Zé e Dolores, a vizinha amiga de Aline, Kelly e o analista louco de Aline, Yuri.

Episódio 01

Parte 01

Parte 02

Parte 03

Músicas para dias de chuva.

Hoje aqui em Salvador chove como se nunca mais fosse parar. Tá, exagero meu. Não chove tanto assim. Mas mesmo assim, esse céu cinza me dá uma sensação gostosa. Uma paz. Uma vontade de fechar os olhos e me jogar na chuva que cai. Uma chuva fria, que lava e purifica. Mas por hora não vou fazer isso. Pelo contrário. Hoje vou postar aqui uma seleção de músicas que eu gosto de ouvir quando chove. São músicas que eu gosto mesmo. Que trazem mensagens, ou não. 


Lanterna dos Afogados - Paralamas do Sucesso

O Segundo Sol - Cássia Eller

Mais Uma Vez - Renato Russo

Lua e Flor - Oswaldo Montenegro

Dont Leave Home - Dido

Viva Forever - Spice Girls

The Hardest Part - Coldplay

Return To Innocence - Enigma

Dont Go Away - ERA


Crazy - Alanis Morissette


Essas são apenas algumas boas músicas para dias de chuva...

Thiago Ribeiro

quarta-feira

DICA DE FILME: NOME PRÓPRIO - Com Leandra Leal

Minha dica de filme é uma película de Murilo Salles, chamada Nome Próprio. Protagonizado por Leandra Leal e com roteiro baseado no livro "Máquina de Pinball", da escritora Clarah Averbuck.



Sinopse

Camila (Leandra Leal) tem a escrita como sua grande paixão. Intensa e corajosa, ela busca criar para si uma existência complexa o suficiente para que possa escrever sobre ela. Ela escreve compulsivamente em um blog, só que isto faz com que também fique isolada.


Título original: (Nome Próprio)
Lançamento: 2008 (Brasil)
Direção: Murilo Salles
Atores: Leandra Leal, Juliano Cazarré, Alex Didier, Munir Kanaan.
Duração: 130 min
Gênero: Drama


segunda-feira

GRANDES ATRIZES: FERNANDA TORRES



Considero Fernanda Torres uma das melhores atrizes do mundo. Sério, sem exagero nenhum, Fernanda é dona de um talento ímpar, fruto de uma herança genética ou talvez de uma predestinação à arte a qual exerce. Sempre sinto um prazer enorme em assistir tudo o que ela faz e me encanto muito com sua versatilidade. Seja como a Vani de OS NORMAIS ou como a Maria em CASA DE AREIA, Fernanda sempre diz a que veio e mostra por que é minha atriz favorita.


 Programa Irritando Fernanda Young
Programa Irritando Fernanda Young
Programa Irritando Fernanda Young
Programa VITRINE - da TV CULTURA

Filme "EU SEI QUE VOU TE AMAR"

Os Normais

quinta-feira

PEQUENAS RECEITAS PARA A FELICIDADE




Todo mundo já se perguntou alguma vez qual o segredo para atingir a felicidade. Dependendo da forma que assuma essa tal felicidade, é de uma facilidade imensa desvendar esse segredo. Alguns sofrem por antecipação com essa busca desenfreada por ela. Outros resolvem que o destino se encarregue de trazer a felicidade sem que seja necessária uma boa dose de esforço. Para aqueles que dispõem de tempo para ir a busca da sua felicidade, meus parabéns. Aos que sofrem com a falta de tempo devido os avanços do mundo globalizado, deixo minhas sinceras condolências. As receitas para a felicidade se resumem em pequenas atitudes que fazem com que sua vida tenha um colorido diferente
.
A felicidade está em fazer aquilo que se gosta, ou caso não consiga, ver alguma coisa positiva naquilo em que se é obrigado a fazer. Escreva numa folha de papel tudo aquilo que te chateia. E depois queime. Faça com que os pequenos momentos de prazer se estendam pelo máximo de tempo que você puder. Um sorvete, um banho de mar, um balde de pipoca. Pequenas coisas que fazem seu sentimento de plenitude se manter cada vez mais presente no seu dia a dia. E pasme: não custa caro.

Esqueça o melodrama que as pessoas contam pra você. Não se contamine com as energias negativas que vêm até você. E assim que der, exercite aquele filtro que fará com que todas essas energias sejam transformadas e jogadas de volta numa onda de paz e serenidade. Sei que é difícil, mas não impossível. Ser feliz é muito mais do que ter carro do ano, roupas de marca ou viagens internacionais. Mas se pra você ser feliz é justamente ser detentor de tudo isso, lute pra tê-los. Não se mortifique por não ter. Dê-se o direito de se chatear por cinco minutos. Nenhuma chateação merece se estender por mais tempo que isso. Use o resto do tempo pra se alegrar.

Felicidade é se alegrar com pouca coisa, o que não significa que você não pode batalhar por aquilo que você julga que lhe fará feliz. Aliás, ser feliz é nunca desistir daquilo que se acredita, por maiores que sejam as adversidades. A felicidade está em compartilhar as vitórias. Em pensar nas derrotas. E levantar a cabeça para o que vem a seguir. Por que o importante nessa vida, é nunca desistir. Principalmente de ser feliz.  


quarta-feira

CARTAS PARA VOCÊ...



De Thiago Ribeiro
Personagens:
ALICE
DANIEL

eu quero que você saiba que mesmo que meus olhos não sejam capazes de distinguir seu rosto, eu sou capaz de enxergar dentro de você com os olhos do meu coração”.

(Abre-se a cortina ou acende-se a luz. Papéis espalhados pelo chão. Não são papéis comuns, são cartas, cartas de que contam histórias que deveriam ter sido esquecidas. Alice e Daniel estão sentados no chão, em cima da pilha de cartas, um de cada lado, de frente para a platéia).

DANIEL – Essa é uma história de amor.
ALICE – História de amor que aconteceu no verão passado.
DANIEL – Numa dessas tardes em que as crianças correm endiabradas pelos parques da cidade.
ALICE – Os mesmos parques que servem de cenário para namoros de jovens apaixonados.
DANIEL – Foi naquele parque que eu a vi passar pela primeira vez. Era outono. Ela passava graciosa como uma folha ao sabor do vento. Linda, mas era uma menina apenas.
ALICE – Notei que ele observava atentamente todos os meus movimentos. Quando percebeu que eu também o observava, disfarçou fingindo que escrevia alguma coisa numa pilha de papéis que ele trazia debaixo do braço.
DANIEL – Escrevi letras vagas naqueles papéis, enquanto fingia estar distraído, para que ela não se percebesse observada, mas já era tarde.
ALICE E DANIEL (JUNTOS) – Tive a sensação de que perdi alguma coisa naquele momento. Mas o quê?
DANIEL (Levanta e pega uma carta no chão) – Não sei o que perdi naquela tarde, mas descobri naquele instante que nada que eu fizesse poderia trazer de volta o que eu tinha perdido.
ALICE – No inverno busquei dentro de mim uma resposta para aquele vazio que sentia. Era como se de repente, alguém tivesse me tirado algo que eu sempre tive, mas que nunca me dei conta que estava ali.
DANIEL – Escrevi numa carta tudo o que eu sentia. E lhe mandei. Me perguntei se ela receberia.
ALICE – Recebi a carta.
DANIEL – Com certeza riria.
ALICE – Suas palavras me tocaram fundo!
DANIEL – Certamente acharia que sou um louco...
ALICE – Um poeta!
DANIEL – E se afastaria de mim e das minhas lembranças...
ALICE – Quero ser sua.

(os dois olham-se frente a frente. Estendem as mãos e quando estão prestes a se tocar, ele desiste).

DANIEL – No último minuto eu desisti. Fui um covarde.
ALICE – Não compareceu ao nosso encontro.
DANIEL – Duvidei que ela realmente iria...
ALICE – Pus meu melhor vestido.
DANIEL – Ao mesmo tempo tive medo que eu não preenchesse as suas expectativas.
ALICE – Estava ansiosa para conhecê-lo melhor!
DANIEL – E se não fosse eu quem ela realmente queria?
ALICE – Era ele que eu queria.
DANIEL E ALICE (juntos) – Eu quero você!
ALICE – Decidi que iria surpreendê-lo um dia no parque. E foi o que fiz.

(A luz abaixa, e Daniel está sentado num banco, escrevendo uma carta. Alice chega e senta ao seu lado).

DANIEL - A presença dela naquele banco de praça me deixou sem ação.  Mal tive forças para continuar a escrever o verso que com toda certeza eu lhe enviaria depois. Deixei cair o lápis.
ALICE – Peguei o lápis que caíra no chão e lhe entreguei, forçando assim que ele me olhasse nos olhos, o que fazia pela primeira vez.
DANIEL - Não tive coragem de lhe dizer nada, entreguei-lhe o verso incompleto que havia escrito. 
ALICE – Me estendeu a mão, peguei o papel e notei que tremia.
DANIEL – Frio.
ALICE – Nervoso. Olhei fundo nos seus olhos e decidi ir embora. Ir para nunca mais voltar.
(Alice levanta do banco e faz menção de ir embora. Daniel levanta.)
DANIEL – Não gostou do verso?
ALICE – Gostei.
DANIEL – Então por que vai embora?
ALICE - Por que eu te amo.
DANIEL – Se me ama por que vai sem ao menos provar do meu amor?
ALICE – Para que você possa me esperar. Para que eu seja sua no momento certo, quando a idade for propícia, quanto a estação não for mais o verão, quando a primavera florescer nesse jardim, eu estarei de volta.
DANIEL – Mas até lá...
ALICE – Até lá eu me contento em ler suas palavras...
DANIEL – Eu te escrevo...
ALICE - ... todos os dias....
DANIEL -  ... em todas as estações...
DANIEL E ALICE (juntos) – Até que as árvores floresçam novamente...
DANIEL – Descobri o que tinha perdido naquela primeira tarde de verão. Perdi a capacidade de amar com cautela.
ALICE – Descobri que por mais que eu resistisse...
DANIEL - ... por mais que eu insistisse em negar...
ALICE - ... por mais que o mundo me mostrasse o contrário...
ALICE E DANIEL (juntos) – EU AMO VOCÊ!
DANIEL – Eu jamais poderia te deixar...
ALICE - Mas deixou. Me trocou por um punhado de cartas.
DANIEL – Na estação seguinte, quando a primavera a trouxe de volta, eu já não estava mais lá. Tinha ido embora. Eu a deixei. Mas deixei as cartas que escrevi.
ALICE – Não. Cartas para alguém que não existe. Não tive um final feliz.
DANIEL – As verdadeiras histórias de amor são privadas de um final feliz...

SOBE A MÚSICA: BANDOLINS, OSWALDO MONTENEGRO. BLACK.

FIM

quinta-feira

DICA MUSICAL: DOPAMINA, BELINDA


"Dopamina" foi lançado em 10 de agosto de 2010, mas como "Egoísta" demorou a entrar em diversos chats musicais, sua gravadora decidiu adiar o lançamento do videoclipe 01 de fevereiro de 2011. Com a volta de divulgação, Belinda comentou que "Gaia" deveria ser lançado como o terceiro single, mas logo foi adiado e substituido por "Lolita".

quinta-feira

PEDRO E JOÃO...


Pedro era filho único.
João tinha três irmãos.

Pedro morava com o pai. Era órfão de mãe.
João não sabia quem era o pai, a mãe nunca lhe revelou quem era.

Pedro curtia olhar as estrelas, tinha paixão por astrologia.
João era cético em todos os aspectos.

Pedro não era muito bom em matemática.
João era capaz de guardar na cabeça o teorema de Pitágoras.

Pedro tinha alma livre, dizia que se nada desse certo montaria um hotel na Bahia.
João queria casar e ter uma vida sem grandes aventuras.

Pedro desistiu dos estudos quando tinha dezesseis.
João formou-se com honra aos dezessete. Aos dezoito estava na faculdade.

Pedro chegou atrasado na festa no barzinho freqüentado pela galera.
João foi praticamente arrastado à confraternização dos calouros da faculdade.

Pedro ficou interessado no rapaz careta que parecia estar incomodado com aquele ambiente.
João sentiu uma coisa estranha ao olhar aquele jovem com cara de hippie que o olhava fixamente.

Pedro pensou em pedir-lhe o telefone.
João ameaçou perguntar seu nome.

Pedro tomou coragem e foi em sua direção.
João pegou um copo de bebida e virou num gole só.

Pedro olhou João nos olhos.
João desviou o olhar.

Pedro puxou-lhe pela mão.
João se deixou levar.

Pedro beijou João.
João não esboçou reação.

Hoje Pedro namora João, e juntos planejam casar.
João trabalha à noite, e estuda durante o dia.
Já Pedro cuida da casa, mas ainda sonha em ir pra Bahia.


SEMPRE TE AMEI NUNCA TE DISSE



Nos dias de hoje a coisa mais fácil de ouvir de alguém é um “eu te amo”. Ouvimos tantos e em diversas ocasiões. Tanto se fala eu te amo de maneira avulsa, que toda a força contida na frase se perdeu. Ou melhor, perdeu metade da força. Relacionamentos hoje são cada vez mais vazios e ninguém quer se prender a ninguém. Casamento virou sinônimo de sofrimento para alguns. Todos querem a liberdade de amar cada vez mais pessoas, mesmo que esse amor exista apenas da boca pra fora. Eu quero isso também, mas amar e deixar o outro livre é tão difícil. Difícil pra caramba. As mulheres, que antigamente eram as que mais se interessavam por casar, constituir família e etc, hoje em dia querem passar bem longe de uma igreja. Todos estão ocupados demais vivendo suas próprias vidas, não querem ter mais uma preocupação, por isso se dedicam a conquistas de apenas uma noite. O que seja eterno enquanto dure dura uma noite e nada mais. Não digo que buscar o amor seja errado. Eu busco o tempo todo. Só acho uma perda de energia essa busca torta. Eu sou piegas, sou cafona, sou tudo mais o que você quiser que eu seja. Tudo por que? Por que eu ainda acredito no amor. 

(P.S: BOM, ACHO QUE ESSE ERA O MOMENTO PREU DIZER QUE DISCORDO DE TUDO O QUE ESCREVI ACIMA E DIZER QUE FAÇO EXATAMENTE O CONTRÁRIO, MAS VOU FRUSTRAR VOCÊ MEU/MINHA CARO/CARA BALADEIRO/A QUE PEGA 10 NA BALADA. VOCÊ PODE CONTINUAR SUA VIDA DE PEGAÇÃO, MAS PODE TER CERTEZA QUE UM DIA VOCÊ VAI ENCONTRAR A TAMPA DA SUA PANELA, A METADE DA SUA LARANJA, O QUEIJO DO SEU CHEESEBURGUER, A BATATA DO SEU MAC DONALDS, O CAMARÃO DO SEU ACARAJÉ...)

SEMPRE EXISTE UMA POSSIBILIDADE...



Tudo é possível, já dizia nossa filósofa Ana Hickmann. Fiquei a pensar nesses dias como tudo nessa vida é relativo. O tempo se encarrega de mudar as coisas de lugar, de remanejá-las, e cabe a nós aceitar. Ou não.

Eu na maioria das vezes não aceito. Ou melhor, custo a aceitar, isso quando aceito. É inerente ao ser humano o hábito de fazer planos, de planejar muitas vezes milimetricamente seus ideais, seus planos, seus trabalhos, enfim, sua vida. Só que a gente se esquece que nem tudo é do jeito que queremos.

No mundo existe uma força invisível que se encarrega de colocar tudo em seus devidos lugares ou, mais trágico ainda, espalhar as coisas como o vento faz com a areia no deserto. Gosto de pensar que sempre existe uma outra possibilidade para tudo o que nos acontece. Buscar outra alternativa é um exercício de amor próprio impressionante, que faz com que você saia da zona de conforto busque o caminho ideal para sua vida.

Eu acredito em destino. Uma vez ouvi que acreditar em destino é uma maneira de abster-se das responsabilidades de suas ações. Não concordo. Ou talvez concorde. Mas não deixei de acreditar em destino. Coincidências não existem. O que existem são histórias escritas pelo mesmo autor, que vez ou outra se cruzam.

Existe a possibilidade de desconstruir tudo aquilo que foi pensado para nós ou quem sabe até destruir aquilo que nós mesmos construímos. A busca pelo próprio caminho faz com que muitas vezes a nossa história tenha que ser interrompida bruscamente, como numa virada de página, onde sempre temos a oportunidade de escrever o próximo capítulo da história.

Mas mesmo nosso destino é possível ser mudado. A força do pensamento e das suas palavras são energias capazes de modificar seu futuro. Eu sei que parece um pensamento meio hippie, mas não deixa de ser verdade. Ou meia verdade, não se atenha apenas ao que ler nesses escritos, afinal de contas, existe sempre a possibilidade deu estar errado.


segunda-feira

ANTES QUE TUDO ACABE


ANTES QUE TUDO ACABE...

TEXTO DE THIAGO RIBEIRO 

(Foco no centro do palco. Uma pequena mesa com uma cadeira onde o personagem se encontra sentado de costas para a platéia. Aos poucos se vira para platéia, a olhar um ponto fixo, como se estivesse em transe. De repente ele desvia o olhar para uma arma em cima da mesa.) 

ALVARO – Culpado. Não consigo me lembrar do momento exato que cheguei a este ponto no qual me encontro agora. Essa agonia que me perturba me acompanha desde que me entendo por gente. Culpa. Uma angústia desmedida, uma sensação de que nada que eu faça, por melhor que seja, vai ser bom o suficiente. Busquei a realização nos livros. Passei a ignorar o mundo real e só acreditava naquilo que podia ler. Cresci cada vez mais submerso na solidão das letras. Era de se imaginar que eu me tornasse escritor por causa disso. Era o que todos achavam. Era o que eu achava. Mas não foi o que aconteceu. Tornei-me escrivão. Isso mesmo. (Irônico) Nada mais nada menos que um digno escrivão de polícia. No começo consegui ignorar a crueza daquele ambiente gélido, certo de que eu nada tinha a ver com aquele lugar, mas com o passar do tempo, fui criando um certo prazer em conviver com aqueles homens asquerosos que se diziam fazedores da lei. Putas, bêbados, ladrões, assassinos e estupradores. Com todos convivi, absorvendo numa ânsia infernal suas histórias, seus medos, eu me alimentava das suas fraquezas. Crescia em mim um prazer mórbido em escrever linha por linha de seus depoimentos, acrescentando vez ou outra um detalhe que eu julgava necessário. EU ERA DEUS!! E daí que não fossem detalhes reais? Quem haveria de investigar? Todos se diziam inocentes. E alguns realmente eram. Mas era impossível distingui-los dos demais. Sempre me julguei incapaz de me envolver com seus clamores de piedade, seus pedidos de ajuda. Até conhecer Tereza. Tereza surgiu num fim de tarde cinzento. (Som de caixa de música, porta jóias) Sua imagem surgiu nebulosa, em meio à nuvem de fumaça de cigarro que imperava no ambiente. Passou por mim em direção às celas. Por uma fração de segundo tive a sensação de que me lançara um olhar. A princípio julguei que fosse um olhar de desejo. Depois, ao analisá-lo melhor, percebi se tratar de um olhar de desdém, no máximo, de curiosidade. É. Talvez seja essa a palavra certa. Curiosidade. Segui seu corpo com o olhar. Por um momento pensei em interromper sua passagem e convidá-la para tomar um café. Ora, logicamente que minha intenção passava longe de tomar um simples café. Aquela mulher me atraía de maneira perigosa. E eu gostei disso. Decidi que convidaria Tereza para o café. Esperei impaciente que terminasse sua visita. A propósito, viera visitar um primo, envolvido com alguns assaltos. Um, dois, três, quase uma carteira de cigarros depois, Tereza voltou. Ao passar por mim, novamente me lançou um olhar. Pude perceber o quão tristes eram seus olhos. Olhos de angústia. Uma angústia na qual eu me reconheci. Segui seus passos pela rua gelada, fruto de uma chuva na noite anterior. Não demorou para que ela se notasse seguida. Virou-se e sem nenhuma surpresa por me encontrar ali, dirigiu-se até mim e me beijou. Um beijo diferente de todos. Sua língua percorreu minha boca com uma intensidade, que me fez ter medo, e recuei. Surpresa deu-me as costas, disposta a seguir em frente. Avancei e segurei seu braço. Levei-a pra minha casa. E ali mesmo, no meu refúgio, entre livros e bitucas de cigarro, comi Tereza. Nosso caso durou cerca de quatro semanas, onde nos encontrávamos dia sim, dia não. Tereza conseguia se fazer presente ma minha vida. E assim foi, até o dia que revelou que iria me deixar. Atônito só pude fazer a pergunta mais óbvia de todas: Por que? Minha pergunta ficou sem resposta. Vi com tristeza, ela arrumar seus pertences, e cruzar a porta numa despedida silenciosa. Assim se foi Tereza. Caí em depressão profunda. Afundei me em álcool e drogas, transformando-me no que realmente todos esperavam que eu me tornasse, um nada. Procurei Tereza por todos os lugares que imaginei que fosse encontra-la. Puteiros, favelas, hospitais, delegacias. Mas não tive êxito em nenhum desses lugares. Era como se ela tivesse evaporado. Sumido no ar, como se nunca tivesse existido. Tempos depois, quando a imagem de Tereza já era nada mais que uma penumbra, encontrei-a a caminhar pelas ruas do centro da cidade. Mostrou-se surpresa ao ver meu estado deplorável. Pedi-lhe que fosse comigo para casa. Ela se negou. Disse-lhe que se não fosse, me mataria. Olhou-me duvidando. Pela minha expressão percebeu que eu falava sério. Decidiu me acompanhar. Tivemos uma tarde de regrada a luxúria e perversão, perversão essa que atingiu seu ápice quando atirei em Tereza, que surpresa, esboçou seu ultimo sorriso, caindo inerte no chão. Agora, me dirijo pro mesmo lugar que Tereza. Ao único caminho possível para mim. A morte.

(Ele levanta e pega uma arma. Tenta atirar, ela falha, ele tenta algumas vezes, todas as tentativas falham. Ele sai, à medida que um black toma o palco. Ouve-se um som de tiro. A arma funcionou.).