terça-feira


VERSOS DE CAPITU




TINHA EU POR VOLTA DE DOZE ANOS QUANDO PASSEI A ME INTERESSA PELOS ATRIBUTOS DO SER FEMININO. AQUELA CRIATURA QUE SE DESENHAVA PERANTE OS MEUS OLHOS ERA DIGNA DE UMA PINTURA DIVINA. ERA COMO SE TODOS OS MEUS SONHOS TIVESSEM SIDO TRADUZIDOS EM TOTAL ESPLENDOR. ASSIM ERA CAPITU, A NOIVA QUE SEMPRE DESEJEI MAS QUE NÃO SOUBERA EM PALAVRAS DESCREVER. QUANDO BRINCÁVAMOS EM CRIANÇA, ERA COMO SE EU FOSSE SEU IRMÃO MAIS NOVO, EMBORA FÔSSEMOS SEMELHANTES EM IDADE. CAPITU DOMINAVA MINHAS AÇÕES COM UMA FACILIDADE INEXPLICÁVEL. ERA COMO SE, PERTO DELA, TODAS AS MINHA VONTADES FOSSEM MEROS ARROUBOS DE RAPAZOTE. MANTINHA SOBRE MIM UM FASCÍNIO, UM ENCANTAMENTO QUE EU JULGAVA EXISTENTE APENAS EM HISTÓRIAS E FÁBULAS PARA CRIANÇAS PEQUENAS. O ÁPICE DO MEU ENCANTAMENTO OCORREU QUANDO ME PEGUEI A FAZER VERSOS ENCOSTADO NO CANTO DO MURO


terça-feira


Uma musiquinha pros momentos felizes...

Processo Criativo Teatro na Educação III: Deslocamento descoberta des aumentado

Processo Criativo Teatro na Educação III: Deslocamento descoberta des aumentado: " Ó ela aí de novo Adivinhem quem é? ' Vixe Maria ', ..."

Entre formigas, viagens e pirlimpimpim.

Junte um grupo de crianças mal crescidas, uma vontade intensa de aprender e o brincar que se apresenta de diversas formas. Essa receita resulta na criação de pequenos espetáculos cênicos, que semanalmente são apresentados pelo Módulo III de Licenciatura. Começo esse texto chamando esses jovens educandos de crianças, por quê é assim que eu os vejo. Caçamos incansáveis formigas em seu ininterrupto caminhar durante uma segunda feira de sol ameno. O interlocutor aqui presente também teve seu momento de observação, mantendo com a intrépida formiga uma relação um tanto quanto exótica. Selma, a formiga observada por este que vos fala, tinha o estranho hábito de querer se comunicar com outros seres. Principalmente aqueles estranhos que, grandes como imensas hastes de girassóis, passavam por seu formigueiro a todo instante, por vezes destruindo pequenas reservas de gravetos que por horas foram arrumadas pelas incansáveis criaturas.

Não há de ser preciso ser grande filósofo ou um homem de grande prestígio acadêmico para perceber que Selam sofria com o descaso das suas semelhantes. Ressentia-se por não poder se comunicar com aqueles seres que tanto admirava. E nos seus devaneios de jovem saúva, perdia-se a imaginar o que faria caso um dia um humano parasse para ouvir uma das suas conversas. Naquela segunda feira, quando notou se observada por aquele humano de cabelos enormes, pôs se a andar em círculos. Queria que ele entendesse o que ela dizia. Ele, ao contrário, parecia observar sem nenhum interesse mais amoroso o que ela fazia. Anotava as ações de Selma, com um desinteresse que ofendia a moral da pobre formiga, que indignada, mordeu-lhe a ponta do pé seguiu seu caminho. Saiu a buscar uma criança, dessas que ainda entendem a língua das saúvas.

UMA VIAGEM... VÁRIOS DESTINOS

Uma mochila é capaz de levar em seu interior um mundo. Um mundo pertencente àquele que a carrega. Ou não. Aquela mochila era minha. Era do menino que um dia eu fui. Da criança que eu acho que ainda vive dentro de mim. Cada parte da minha vida se encontra representada naqueles objetos. Insisto em forçar a memória para que os menores detalhes não se apaguem, já que sabemos que o Diabo mora nos detalhes.  Eu sou oriundo de uma cidade pequena. De uma cidade pequena, mas com uma alma enorme, dessas almas que de tão grande conseguem carregar dentro de si uma alma em forma de algodão doce.  Dessas cidades que trazem a poesia estampada em cada rosto.  Aquele menino que viajava com o tio para algum lugar que não sabemos onde, ele levou um pedaço de mim. Na verdade vou um pouco mais longe: ele é um pedaço de mim. Cest fini.

UM POUCO DE PÓ: DO PÓ VIEMOS, AO PÓ VOLTAREMOS (?).

Olhei pra Lorena com olhos interrogativos. Sua resposta foi pegar um pouco de pó e passar em si mesma, como se me encorajando a fazer o mesmo. Perdi o medo e fui adiante, passando aquele pó em seu corpo. Já não era mais a farinha de trigo da aula de montagem didática. Era uma areia fina, areia de deserto, areia que queima a pele, que corta, areia que machuca. Areia. Pura e simplesmente areia. Ao som de Coldplay, fechei os olhos e me entreguei àquela aula. Gostei mesmo. Foi muito bom, consegui um nível de interação com Lorena em poucos minutos, o que não é tão comum.  Sai todo sujo, mas feliz. Faria tudo de novo. Momentos depois inverti os papéis. Fui observar o grupo seguinte. Detive-me em Isis, Cleidenara e Dominique. Detalhe: acompanhei a cena dos três como se estivesse numa sessão de cinema. Os três pareciam crianças, livres ao brincar com o pó. Surgiu uma pequena dramaturgia, que contagiou os espectadores. Eles também se jogaram no trabalho. Estavam absortos. Essa foi particularmente minha aula favorita. Foi muito bom improvisar, me fechar na sala escura e fria (sala 5) e transformar aquele pó em poesia.

O GRAMOFONE

A aula mais recente de montagem didática foi à aula do Gramofone. Inspirados por um texto de Manoel de Barros trabalhamos em grupo, na construção subjetiva de um vovô, de uma árvore, de um gramofone. Não foi fácil. Fizemos a improvisação, mas pela primeira vez não me senti à vontade, aliás, não consegui ver beleza naquele trabalho. Sou um pouco doido, costumo ver poesia onde não há, ou pode ser até que seja o oposto, pode ser que eu veja poesia onde mais ninguém ver. Como essa segunda opção é muito narcisista fico com a primeira. Mas eu não consegui ver a poesia daquela improvisação. No outro dia, a surpresa: as fotos da apresentação me surpreenderam. A poesia estava ali, naquelas imagens, super presentes. Eu não senti a poesia, mas eu era parte dela.


AS COISAS ESTÃO PASSANDO MAIS DEPRESSA....





As coisas estão passando mais depressa
O ponteiro marca 120
O tempo diminui
As árvores passam como vultos
A vida passa, o tempo passa
Estou a 130
As imagens se confundem
Estou fugindo de mim mesmo
Fugindo do passado, do meu mundo assombrado
De tristeza, de incerteza
Estou a 140
Fugindo de você
Eu vou voando pela vida sem querer chegar
Nada vai mudar meu rumo nem me fazer voltar
Vivo, fugindo, sem destino algum
Sigo caminhos que me levam a lugar nenhum
O ponteiro marca 150
Tudo passa ainda mais depressa
O amor, a felicidade
O vento afasta uma lágrima
Que começa a rolar no meu rosto
Estou a 160
Vou acender os faróis, já é noite
Agora são as luzes que passam por mim
Sinto um vazio imenso
Estou só na escuridão
A 180
Estou fugindo de você
Eu vou sem saber pra onde nem quando vou parar
Não, não deixo marcas no caminho pra não saber voltar
Às vezes sinto que o mundo se esqueceu de mim
Não, não sei por quanto tempo ainda eu vou viver assim
O ponteiro agora marca 190
Por um momento tive a sensação
De ver você a meu lado
O banco está vazio
Estou só a 200 por hora
Vou parar de pensar em você
Pra prestar atenção na estrada
Vou sem saber pra onde nem quando vou parar
Não, não deixo marcas no caminho pra não saber voltar
Às vezes, às vezes sinto que o mundo se esqueceu de mim
Não, não sei por quanto tempo ainda eu vou viver assim
Eu vou, vou voando pela vida
Sem querer chegar

quinta-feira


PARIS, 1453

Tudo começou com o fim. É estranho pensar isso, já que irremediavelmente as coisas tendem a começar pelo início. Mas nesse caso, o fim é o início mais propício. As sensações vieram à tona, numa imensa fúria, como que provocadas por um soco no estômago. Uma ânsia fez com que as coisas ao redor se mostrassem com maior clareza. A meia luz naquela ante-sala obscura fazia com que o atordoamento se estendesse ao longo dos minutos. Olhou para sua frente e a única coisa que pôde distinguir naquele ambiente opaco, foi o vulto de uma cama, onde uma figura envolvida pelo breu jazia inerte.
            Forçou os olhos o máximo que pôde, numa vã tentativa de distinguir uma forma, um molde, alguma coisa que distinguisse e determinasse a espécie do alvo de observação. Mas mesmo esforçando-se ao extremo, não conseguiu grandes progressos. Só então se lembrou de olhar para si e pôde então perceber o estado lastimável no qual se encontrava. Suas vestes contrastavam com a sua pele alva. Sujas e rasgadas, os panos que lhe cobriam o corpo pareciam querer se libertar e deixá-lo ao bel prazer do que sucederia depois.
            Levou a mão ao rosto num gesto desesperado. A garganta seca, os olhos ardendo, a pele enrugada. Abaixou as mãos e voltou a se concentrar na cama. Olhou ao redor e certificou-se estar só. A penumbra em que estava, tornava-se pouco a pouco menos opaca. Pensou em se levantar da cadeira onde se encontrava, mas foi impedido por um pensamento, pelo receio de estar preso aquela cadeira. Sem ter coragem suficiente para se desprender de onde estava, achou melhor clamar por ajuda. Puxou o ar dos pulmões e tentou gritar por alguém, porém, nenhum som saiu de seus lábios.
            O desespero começou a tomar conta daquele indivíduo. O medo paralisou-lhe os pensamentos, e as ações, mesmo aquelas mais simples, lhe pareceram naquele momento impossíveis de serem realizadas. Tentou recordar como viera parar ali, onde estivera mais cedo. Mas era como se uma nuvem cinza lhe encobrisse os pensamentos.
            Pensou em pedir ajuda ao desconhecido da cama. Mas como fazer para atrair a atenção do outro, que jazia distante, sem que nenhum som ou movimento dele saísse? Reunindo às últimas forças que lhe restavam, decidiu por levantar e ir de encontro ao outro,
Um misto de felicidade e alívio se deu ao perceber que seus membros inferiores lhe obedeciam. Lentamente começou sua caminhada em direção à cama.
            No curto trajeto observou o ambiente lúgubre no qual se encontrava. Imagens sacras espalhadas pelo recinto davam ao lugar uma aura mística e mórbida. Um velho baú de carvalho encontrava-se aberto num canto. Roupas em total desalinho estavam espalhadas pelo chão, como que a denunciar a presença de um ser em fuga. Da janela semi aberta, vinha uma brisa suave, mas fria, que mexia as cortinas de seda branca, dando a impressão de que havia alguém a brincar por entre elas.
            Voltou a olhar para a cama. Estava mais perto agora. Já podia distinguir as formas de um homem. Pensou em parar e evitar um confronto com alguém que ele sequer conhecia, mas a curiosidade lhe impeliu a ir em frente, e mesmo sem estar por todo certo do que queria, continuou a andar.  Agora estava a poços passos do seu alvo. Caminhou o mais lento possível, preocupado com a reação do outro, que se mantinha impassível. Finalmente, chegou ao lado do enfermo, que jazia coberto da cabeça aos pés. Suas mãos automaticamente se dirigiram  às cobertas e de supetão, o rosto do homem surgiu.
            Atordoado com a revelação, ele voltou para o lugar de onde saíra, desesperado, escondendo o rosto com as mãos, numa tentativa vã de apagar da memória o que acabara de testemunhar. Precisava apagar de sua memória, seu próprio rosto desfalecido, vencido pela peste.

quarta-feira

1º POST DE 2011!

Bom. Quase todo mundo que eu conheço tem o hábito de fazer listinha todo final de ano, com o intuito de melhorar no ano que vai entrar e não voltar a cometer pequenos delitos como, por exemplo, comer aquele décimo quinto brigadeiro na festa de aniversário daquela sobrinha espinhuda que provavelmente levou duas horas para entrar no vestido ou recusar terminantemente aquele suéter roxo de algodão da sua sogra, a qual você finge gostar, sendo que o único motivo para isso é a herança polpuda da véia e por que o estatuto do idoso te persegue até a terceira geração se você der um peteleco na véia.

Esse ano ( 2010) eu fiz uma listinha também. Acabei de me dar conta de que quase tudo o que eu pedi aos astros e estrelas no último Reveillon foi-me concedido. Inclusive estar dominando as minhas faculdades mentais (há controvérsias, injustas, mas elas existem) foi uma das dádivas concedidas por Andrômeda. Fazendo um balanço do ano que se vai, acho que a soma de tudo, dividido pelos excessos, subtraindo o bruto vivenciado, enfim, vou parar por que sempre fui péssimo de matemática, mas voltando ao assunto, esse ano foi 60% positivo para mim.

No lado profissional tive experiências bacanas. Fiz uma mostra muito bacana, chamada Eles Só Usam Black Tie, a qual elejo como a minha melhor atuação no ano. Tive umas boas experiências também, como a participação que eu fiz nA Quadrilha. Mas Black Tie foi uma lavada na minha alma e no meu ego.

Depois disso eu me afastei um pouco da Escola de Teatro, algo que me arrependo profundamente. Aliás, abro aqui um parêntese para comentar a hipocrisia que algumas pessoas têm de dizer que não se arrependem de nada que fizeram e sim, que se arrependem do que não fizeram. Tá, você pode sim se arrepender de não ter feito algumas coisas, mas daí a dizer que, se pudesse voltar no tempo cometeria as mesmas cagadas de novo é o mesmo que assinar um atestado de burrice. Afinal já diz o ditado: errar uma vez é humano, duas é burrice. Isso eu concordo plenamente. Se vivêssemos felizes e sem arrependimentos seríamos máquinas, robôs.

Bom, voltando ao que eu dizia, me arrependi muito em 2010, e um dos meus arrependimentos foi ter me afastado dos meus amigos da Escola de Teatro. Claro que eu enfrentei um momento seríssimo de auto conhecimento, que me afez abdicar de coisas bacanas. Me senti extremamente sozinho, mas de uma maneira muito negativa, quando nada tava bom pra mim. O tempo que eu dei nos meus projetos foi bom naquele momento, mas agora, eu olhando pra trás, talvez não tivesse sido a melhor coisa que eu tenha feito. Aprendi aquilo que eu já ouvi trocentas vezes: você pode fugir de tudo e de todos, mas você não pode fugir de si mesmo. Enfrentar os problemas de frente não é fácil. Mas a gente sempre tem que tentar.

Outra coisa que eu aprendi em 2010 foi que eu não posso JAMAIS me anular pelos outros. Sabe aquilo de abdicar das coisas boas que a vida te propõe para embarcar na aventura de outras pessoas? Pois então. É Por isso que eu curto a solidão. Por que isso de você depender de alguém é muito foda. Você dá a essa pessoa o direito de controlar tua vida.

Eu tenho uma péssima relação com contratos. Eu faço e gosto de fazer aquilo que me dá prazer, sobretudo na questão profissional. Gosto de me sentir livre para criar. Detesto rotina por exemplo. Por isso não dou certo com pessoas controladoras. eu prezo antes de tudo a liberdade, sobretudo a minha.

Esse foi um ano de mudanças. Mudei de casa (já morei em tanta casa que nem me lembro maaaaais...), sofri com vestígios do amor do verão passado e aprendi que gostar de alguém é muito melhor quando esse gostar é recíproco, o que não quer dizer que vou deixar de gostar sem ser devidamente gostado. Aprendi a lidar com minhas potencialidades e com meus defeitos. Descobri que você agrada a uns e desagrada a outros sempre. Por isso, a consciência está mais relax.

No campo sentimental, uma big supresa: uma relação séria pintou na minha área. Tenho até medo disso. Eu me conheço. Eu sei que quando a coisa fica séria, eu perco o tesão numa velocidade impressionante. Mas como quem morre de véspera é peru, deixo de me preocupar por antecipação. Mas tudo não deixou de ser uma surpresa.

Propostas para o ano que se inicia:

* Trabalhar mais. Atuar em mais coisas além das mostras da faculdade. Enfim, me mostrar ao mundo.

* Me dedicar mais a minha licenciatura, que, supõe-se, vai me sustentar daqui a um tempinho.

* Transpor minha idéias para a fora da minha cabeça, afinal, eu não vou ganhar o Oscar deixando os roteiros na minha cabeça. Telepatia está longe da realidade humana.

* Escrever mais aqui, o que aliás, foi uma grande desafio, já que já criei inúmeros blogs e nenhum sobreviveu até hoje.

Enfim, espero que 2011 seja tão pulsante quanto esse ano que se vai.

E pra mim, desejo:

MERDAAAAAAAAA!

sexta-feira

parabéns para mim...

ontem eu completei a singela idade de vinte anos.

Duas décadas. e nem parece. juro que não parece. pareço ter no máximo 17! (Risos)

Mas agora falando sério.

Quando olho pra trás e faço um balanço da minha vida, e vejo por quanta coisa eu passei, fico feliz em saber que tudo o que eu passei serviu para construir esse ser humano que hoje aqui se encontra.


Olhando para trás nessas duas décadas de vida, relembro as pessoas e os fatos que me marcaram. Que me fizeram ser quem eu sou hoje.

Melhorei em alguns aspectos, piorei em outros, mas com toda a certeza, não sou a mesma pessoa que eu era há algum tempo. Putz. Mas que grande novidade eu estou dizendo. Ninguém é  a mesma pessoa. Eu não sou mais o mesmo que ontem.

Tanta gente que eu conheci e que preferia não ter conhecido. Tanta gente que eu perdi de conhecer melhor, pessoas as quais eu poderia ter me dedicado mais.

Tanta coisa...

Mas tudo bem. Na vida a gente não pode ter tudo (infelizmente!).

Me arrependo de tanta coisa... As pessoas geralmente têm um discurso pronto de "só me arrependo do que não fiz" mas isso é mentira... Frase feita que não tem efeito.

Todos nós nos arrependemos de x coisas. Só que nem todos têm a coragem de assumir que se pudessem voltar no tempo, mudariam boa parte do que fizeram. Eu faria tudo (ou uma boa parte) diferente.


Ainda ontem eu completei dezoito anos. Esses dezenove então, passaram que nem poeira. Nem vi direito. E agora estou eu na casa dos vinte.

Acho que está na hora deu me dedicarrealmente para construir alguma coisa nessa vida. Senão ela passa e aí babau! De repente tudo o que a gente viveu ou tinha pra viver some! Desaparece! E aí já era.

Tenho medo de chegar aos trinta sem conseguir caminhar com as minhas próprias pernas. Tenho que batalhar pra isso.

mas por enquanto... vou tentando melhorar no dia a dia.

Inté...

 

 

quinta-feira


Eu não sei o que eu quero da minha vida. na verdade eu não sei nem se vou estar vivo amanhã. O que eu sei desse mundo?
Nada. Nada. Eu as vezes acho que eu sou isso. Um nada. Um nada no meio de tantos tudos.
Eu sou resultado das minhas ações, do meus pensamentos. Eu sou um mix do que na verdade sou e do que poderia ser.
Eu sou assim. Eu não acredito na felicidade, mas procuro por ela.
Eu não acho graça na vida, mas vivo como se a graça existisse em cada coisa que faço.
Ando por essas ruas cinzentas buscando algo que nem eu mesmo sei o que é...
Busco reinventar os meus atos e construir os meus passos todos os dias.
Acredito na possibilidade da impossibilidade de viver algo maior. Não saber o que fazer amanhã é uma das coisas que mais me atormentam.
Não saber o que fazer todas as manhãs assim que eu acordo não é definitivamente o que eu quero para o
resto dos meus dias.
Meu mundo é repleto de imagens indefinidas.
De pontas soltas. 
De nada.

terça-feira

Argh! Estou doente!! Depois de um giro de 180 graus eu fiquei metralhado... Isso foi no ensaio de ontem, Segunda Feira. Achei de lanchar antes do ensaio e aí, deu no que deu.
Pra completar eu esqueci que domingo eu vou ensaiar o dia todo (!). Esqueci mesmo. Velho, faz um mês e meio que eu não sei o que é acordar um domingo em casa! Juro! Todo fim de semana acontece alguma coisa e eu tenho que dormir aqui no Centro. Parece macumba! Hahahaha!
Nesse último por exemplo, foi aniversário de Drika, e eu claro, não poderia faltar. Foi bom pra caralho! Adorei. Fora que eu pude trocar umas idéias de futuros projetos com meu querido Felipe Ferreira. Foi um fim de semana produtivo. Produtivíssimo.

A galera no níver de Drika
 Ah! Esqueci! Vou ser o operador de som da Luzes de Narciso no espetáculo A QUADRILHA. E dia 16 de outubro (doze dias antes do meu aniversário) eu encarno Joaquim, numa substituição ao meu querido Eduardo Matos, que infelizmente estará impossibilitado nesse dia. Por isso, tenho uma caralhada de texto pra decorar.

sábado

Sábado, 01:11 da manhã, e eu estou aqui no Centro Cultural vendo Adriana bater em Felipe.

Mas estou feliz!! Suuuuuuuper feliz! A vida de vez em quando nos prega umas surpresas que, sinceramente não esperamos... e agora estou desfrutrando de uma surpresa MARAVILHOSA... É, parece que dessa vez meu desejo foi atendido... Graças a deus... Ah! o Festival de Teatro foi o máximo, cansei pra caramba, foi trabalhoso, mas compensou. Quando acabou a premiação na segunda dia 06, eu desabei. Velho, eu caí! Literalmente. 

Mas foi muito bom, foi gostoso pra caramba(!!!). Aprendi muito nesse processo, me estressei pra caramba, mas eu faria tudo de novo.

E meu processo de aula no Centro Cultural está cada vez melhor. A turma de terça e quinta está numa vibe maravilhosa e espero conseguir isso com a galera de segunda e quartaEstou crescendo cada vez mais no meu processo pedagógico. E ter meus alunos instigados e inspirados me ajuda cada vez mais.  

O pessoal da Luzes de Narciso ganhou o prêmio de Melhor Espetáculo com Voto Popular!! (Uhuu!!) Que bom! Coroou o Festival com chave de ouro.

Vou parar por aqui com a apromessa de voltar a escrever em breve!! Fuuuuuuuuuui!!
.

segunda-feira

E amando... (de novo!)

Voltei ao meu momento melancolia. Amar dói. Isso é uma verdade incontestável. Antigamente se eu lesse essa afirmação em qualquer lugar eu riria e diria é que era lugar-comum demais para o meu gosto. Mas é verdade. E quando eu digo que amar dói, é no sentido real da coisa. Uma dor que por mais psíquica que seja, se torna física, se for realmente amor.

Dói, mas ao mesmo tempo é bom. É gostoso, é dolorido, mas é de uma gostosura sem par. Velho, parece conversa de doido, mas é verdade. Amar é como dar um pulo no infinito sem pára-quedas. É uma loucura inebriante.
Eu já amei, amar de doer mesmo, duas vezes. E em ambas, não foram relações que me fizeram bem. Quisera eu ter o segredo de realização amorosa. Todo mundo quer isso. Por que amar é difícil? Por que quando a gente ama, a gente não ama a pessoa em si, ama aquilo que ela representa. Procuramos no ser amado, aquilo que nos falta. É por isso que as pessoas raramente se envolvem com quem vale a pena. Por que teimam em buscar só o que não possuem em si.

Não se sentir realizado não é uma particularidade de poucos. Aliás, é um medo da maioria de nós. Temos vidas diferentes, sonhos diferentes, mas temos em comum o desejo de que todas as nossas ambições sejam realizadas. E uma das principais ambições, é justamente a afetiva. Sabe aquele medo que algumas pessoas têm de ficar sozinhas? Pois então. Não tenho esse medo. Muito pelo contrário. Adoro ficar sozinho. Ter meu espaço, meus momentos, enfim, viver o meu mundo sabe? Sem ter que dar satisfação a ninguém sobre a minha vida. Mas nem tudo é como a gente gostaria que fosse. Infelizmente.

Bom. Esse papo todo de amor é só pra ilustrar meu atual estado de espírito! Estou amando. E eu estou adorando, mas dessa vez, e apenas dessa vez, eu não vou cair na mesma armadilha do meu último rolo. Agora eu vou ser mais prudente. Se é que alguém pode, ou melhor, consegue, ser prudente quando está amando. Mas eu prometo que vou fazer o máximo para manter a minha sanidade. Pode apostar que dessa vez eu vou tirar forças pra não ir tão baixo como antes.

Beijos e até mais!

E na série filmes que eu indico...

Bom, continuando a série de filmes que eu indico, está o filme Segredos de Cabaré ( Le Héros de la Famille).

Eu assisti ontem em meio à chuva de Salvador. Muito bom! Adoro esses filmes que tratam da relação entre as pessoas. Nada de bombas explodindo nem carros voando. Eu adoro mesmo é um bom drama familiar. E esse é ótimo. Confesso que nas primeiras cenas eu fiquei meio assim, querendo desligar a tv, mas me segurei e não me arrependi. Sério. Aqui vai a sinopse do filme.

"Gabriel passou quatro décadas gerenciando o Papagaio Azul, uma casa noturna parisiense onde se apresentava como drag queen e onde seu amigo Nicky se apresentava como mágico. Após sua morte, seus afilhados vêm a Paris para cuidar dos detalhes do funeral: Nino, um contador gay que traz seu jovem amante, e Marianne, editora de uma conhecida revista feminina. Também estão Simone, ex-mulher de Nicky e mãe de Marianne, e Alice (Catherine Deneuve), outra ex-mulher de Nicky e mãe de Nino. Quando o testamento é lido, para surpresa de todos, a propriedade do cabaré é dada a Nino e Marianne, que não têm o menor interesse de gerenciar uma casa noturna e anunciam que pretendem colocar o local à venda. Nicky deseja manter o Papagaio Azul aberto, mas não possui recursos para comprá-lo, apesar do fantasma de Gabriel visitá-lo freqüentemente pedindo que encontre uma solução de impedir que a casa feche."

Gostei sobretudo dos personagens Nino, Marianne, Simone e Alice. Muito bom. Foi a primeira atuação de Catherine Denauve que eu vi. E gostei. Imagino essa mulher em um filme com um personagem maior. Nossa. Adorei.



sábado

Verônika Decide Morrer!!

Tá um frio de lascar em Salvador, a tão conhecida terra do calor e do batuque. Acabei de assistr o filme "Veronika Decide Morrer", que é baseado no livro de mesmo nome do Paulo Coelho. Não curto muito o misticismo do Paulo, mas adoro esse livro. E Veronika está perfeitamente encarnada em Sarah Michelle Gellar, que eu adoro.

O filme conta a história de Verônika Daklava, uma aparentemente bem sucedida executiva, que decide morrer para não ter uma vida medíocre igual aos seus companheiros de trabalho, seus pais e etc. Para isso, ela toma uma série de comprimidos, que aliados à bebidas, a levam a uma overdose. Verônika sobrevive e é internada em um hospital psiquiátrico, onde receb a notícia de que sua tentativa de suicídio resultou em um grave problema cardíaco, o que significa pouco tempo de vida.

A partir daí o filme mostra as relações dela com os outros pacientes da clínica, entre eles Edward, um rapaz que é a sua porta para uma nova vida. Recomendo esse filme. Muito bom. Quem puder ler o livro, também recomendo. 

terça-feira

Definitivamente Maria Adelaide Amaral entrou pra minha lista de referências literárias. Já admirava essa portuguesa de alma brasileira que anualmente brinda a Tv brasileira com programas de alto teor estético e cultural. Fiquei em estado de estupor assistindo trabalhos seus como JK e A Casa das Sete Mulheres. Mas de todos os trabalhos de Maria Adelaide, o meu favorito é Queridos Amigos, de 2009. A minissérie é uma obra linda baseada no livro “Aos Meus Amigos”, da própria Maria Adelaide. Não perdi nenhum capítulo, e fiquei querendo mais quando acabou. Como um bom fã de drama, eu fucei bibliotecas e mais bibliotecas à procura do livro. Mas não achei. A história (do livro) se passa quando Léo (na série interpretado por Dan Stulbach) se suicida. É o estopim para o reencontro dos amigos dele, que estão envoltos nas suas próprias vidas:

Lena (Débora Bloch) é uma mulher que viveu intensamente sua paixão por Ivan (Luiz Carlos Vasconcelos), um homem casado. Nesse momento o relacionamento acabou, mais por uma iniciativa de Lena do que de Ivan. Bia (Denise Fraga) é apaixonada por astrologia e ocupa seu tempo em produzir mapas astrais. Nunca se casou, só tem relacionamentos volúveis. Tem uma péssima relação com a mãe, dona Iraci (Fernanda Montenegro). Benny (Guilherme Weber) é um bom vivant. Dono de um cartório de herdou do pai, vive muito bem e tem um desejo por garotos. Seco e sarcástico, tem o hábito de dizer as verdades que os outros não querem ouvir. Flora (Aída Lener) é a ex mulher de Léo. Nunca se sentiu parte do grupo de amigos do ex. Mãe de Chico (André Luiz Frambach), se ressente por não ter sido amada por Léo. Raquel (Maria Luisa Mendonça) é minha personagem favorita, é a típica mulher que se anula, que anula todas as possibilidades para se dedicar à família e ao marido. Seu mundo cai quando o marido Pingo ( Joelson Medeiros) resolve sair de casa para morar com sua amante Lorena (Fernanda Machado). Lúcia (Mallu Galli) vive um casamento feliz com Rui (Tarcísio Filho). Mas seu mundo cai ao descobrir que o marido mantém outra família. Tito (Matheus Nachtergaele) é o ex-marido de Vânia (Drica Morais), que não consegue aceitar a separação. Idealista Tito condena a ex-mulher por casar com um cara burguês, Fernando (Tato Gabus Mendes), a quem julga ser um alienado. E Pedro (Bruno Garcia) é um escritor que fez sucesso no passado e agora caiu no ostracismo.

Como se trata de uma adaptação, nem tudo pôde ser transposto para a tv. Alguns personagens ficaram de fora. Foi o caso de Caio, Adônis, Lauro e Ucha, que acredito ter sido transformada na personagem Karina (Mayana Neiva). Teve também uma mudança nas histórias. Na série, Vânia é ex-mulher de Tito (no livro ela era casada com Pedro e Tito com Lena).

Enfim, esses são os principais personagens dessa história que me comoveu na época da minissérie e me comoveu novamente com o livro. Eu recomendo pra caramba. Desde Ciranda de Pedra, de Lygia Fagundes Telles, que eu não sinto tanto prazer em ler um livro.

Aos Meus Amigos junta-se agora, ao lado de Ciranda de Pedra, Eu Sei Que Vou Te Amar, O Primo Basílio, Mar Morto, Pastores da Noite e Dom Casmurro, ao rol de best sellers que eu recomendo.

Encantado por Clara

Estou adorando a atual vilã da novela das oito. Clara (Mariana Ximenes) me desperta vários sentimentos ao mesmo tempo. Mas nada me tira o prazer de assistir às brilhantes cenas escritas por Sílvio de Abreu. Essa tendência a gostar de vilões da ficção não é só minha não. É só você dar uma pesquisada para descobrir que o lado negro da força é cultuado por uma multidão.

Nas novelas não é diferente. Temos exemplos fortes disso. O bom vilão é aquele que consegue mexer com os brios das pessoas. Os mais cínicos, amorais, são os que fazer mais sucesso. Laura (Cláudia Abreu) em Celebridade usava do cinismo para provocar os seus desafetos. Nazaré (Renata Sorrah) era outra, que em Senhora do Destino não perdia tempo em amolar os inimigos, apelidando-os de diversos nomes feios. Flora (A Favorita) se referia à própria filha Lara (Mariana Ximenes) como “purgantezinho”.

Enfim, adoro esses vilões. Às vezes nossa vida é tão chata que partir pra ficção é a saída. E colocar os demônios pra fora é muito gostoso. E ainda mais nas novelas, quando as maldades são de mentirinha. Para nós atores, é um exercício excelente. Eu tenho o meu vilão favorito. Trata-se de Iago, o pérfido servo de Otelo, de Shakespeare. Um dia vou ser um ator pronto o suficiente para interpretá-lo.
A verdade é que todos nós temos uma parte ruim. Só que somos podados de cometer as pequenas vilanias para podermos conviver em sociedade. Por isso somos obrigados a engolir sapos e mais sapos para evitar sermos indelicados com as pessoas, embora muitas vezes elas mereçam. Isso de dizer o que se pensa sem papas na língua, é visto como vilanice. Os personagens nas novelas que costumar ter esse excesso de sinceridade são classificados como vilões. Manoel Carlos criou três personagens que simbolizam bem isso.

Íris (Deborah Secco) em Laços de Família, Paulinha (Ana Roberta Gualda) em Mulheres Apaixonadas e Isabel (Adriana Birolli) em Viver a Vida. Claro, adorava todas elas, hehehe.

Eu testei isso na vida real. Acredita que na minha turma de faculdade (o serpentário) sou conhecido como o rei dos venenos. Por que? Porque eu costumo falar algumas verdades que são traduzidas como venenos. E olha que ali é cobra comendo cobra! KKKKK! Mas eu adoro provocá-los. É tão engraçado ver como eles se incomodam. Mas eles são tão venenosos como eu. Juro!

Enfim, sou apaixonado por vilões de telenovela, e ainda bem que temos Sílvio de Abreu por que estávamos precisando mesmo de um vilão decente. As duas últimas novelas das oito (Caminho das Índias e Viver a Vida) ficaram nos devendo isso. Viva Clara!
Decidi mais uma vez retomar eu projeto de adaptar Dom Casmurro pro teatro. Sei que é um projeto ambicioso, mas como não tenho uma idéia própria que valha a pena, o jeito é partir para adaptação, o que convenhamos, é muito mais cômodo. Estou há meses com esse projeto de DOM. Mas me atacou a maldita preguiça (sempre ela!) e abandonei tudo. Também, sem tempo pra nada devido à faculdade, eu sempre que tinha um tempinho vago corria pra descansar. Mas agora não vai ser mais assim. Vou me debruçar sobre o livro de Machado e vou me jogar. Quem sabe não ganho o Braskem? Mas enfim, devaneios à parte, tenho o desafio de enxugar o texto para que não fique pedante, e tenha um boa receptividade. Espero que eu não me desestimule no meio do caminho. Adoro a história de Bentinho e Capitu. É um personagem que eu tenho muita vontade de fazer. Se me perguntam qual o personagem que eu tenho mais vontade de interpretar respondo logo: Bentinho! Essa dúvida que martiriza a todos: Capitu traiu? Para mim, a moça de olhos de ressaca nunca traiu sue marido. Essa dor de corno (perdão mestre Machado) do personagem, é só mais um fruto de suas inseguranças. Capitu é inocente. É meu veredicto.

quarta-feira

ENTREVISTA: LETÍCIA DORNELLES



ENTREVISTA – LETÍCIA DORNELLES

Ela é uma das minhas autoras favoritas de novelas. Escreveu a versão brasileira da novela AMIGAS E RIVAIS (2006), a melhor novela já produzida pelo SBT. Atualmente escreve para o programa Show do Tom, na Record. Letícia Dornelles é uma grande escritora, que não tem papas na língua. Seus posts ácidos e sinceros são um show à parte no Twitter. Abaixo vai uma entrevista que tive o prazer de fazer com essa grande mulher e escritora.

01 - LETÍCIA, COMO FOI O INÍCIO DA SUA CARREIRA? COMO VOCÊ DESCOBRIU QUE TINHA TALENTO E QUE QUERIA SER ESCRITORA / ROTEIRISTA? QUAIS AS SUAS INFLUÊNCIAS NA ÁREA LITERÁRIA?

Sou jornalista. Trabalhei alguns anos em TV como repórter e apresentadora antes de optar pela ficção. Quis dar um novo rumo à minha carreira, ampliar meus horizontes profissionais. Não me importava muito em abandonar o vídeo. Não tenho esse tipo de vaidade. A experiência como jornalista me ajudou no trabalho de escritora. É preciso conhecer o mundo, as pessoas, saber observar, para poder falar sobre isso. A experiência profissional somada à experiência de vida molda o escritor. Li um anúncio de jornal convidando novatos a enviarem um roteiro para concorrer a uma vaga na Oficina de Autor da Globo. Eu escrevia poesias esporadicamente. Mas nunca havia escrito um roteiro, nem tinha feito qualquer tipo de curso sobre o assunto. O anúncio dava um tema para ser desenvolvido em forma de roteiro. Meu trabalho foi selecionado entre 600 roteiros. Alguns de autores teatrais, pelo que soube. Desses 600, 30 fizeram nova prova. E apenas 12 começaram o curso, que era eliminatório. Durante três meses fui aluna. E no final, disputei a vaga com um rapaz. Apenas eu fui contratada. Estreei na novela Por Amor, colaborando com Manoel Carlos. Foi uma estréia luxuosa, em horário nobre. Manoel conheceu meu trabalho e me convidou. Disse que eu escrevia no estilo dele. E que tínhamos “química”. Gostava das novelas do Maneco e também do Gilberto Braga. São elas as minhas influências no texto.

02 - ESCREVER NOVELAS É UM TRABALHO ÁRDUO. AGUINALDO SILVA DIZ QUE É UM TRABALHO BRAÇAL. COMO SE DÁ O SEU PROCESSO DE CRIAÇÃO DE UMA TRAMA, DESDE O ARGUMENTO ATÉ A SINOPSE PRONTA?

Não existe uma fórmula. Cada autor tem seu método particular de desenvolver o trabalho. Não gosto de técnicas. Soa como algo sem vida. Vou pela intuição. A sinopse é o mais “chato” pois parece dizer que é uma obra já totalmente fechada, pensada. E novela alguma respeita 100% a sinopse. Ali contém a idéia base da trama. Mas só o dia a dia é capaz de ditar os reais rumos de cada situação e personagens. Abro o computador e deixo o texto fluir. Uma cena puxa a outra. Depois de uma semana, os personagens ganham vida e falam sozinhos. Eu apenas digito o que me sopram... Novela é uma tourada diária. Cansa mesmo. No fim de um capítulo, o autor está esgotado emocionalmente. Muito mais do que o aspecto físico. Dizem que escrever é 90% transpiração e 10% inspiração. Não chega a tanto. Mas é quase... Tem de ser criativo e coerente.

03 - QUAIS OS SEUS ÍDOLOS NA ÁREA DA TELEDRAMATURGIA? TEM ALGUM AUTOR COM QUEM VOCÊ GOSTARIA DE TRABALHAR?

Não tenho ídolos. Há autores cujo texto admiro. Gosto do trabalho de Maria Adelaide Amaral. É o melhor texto feminino da TV. É culta e coerente.

04 – COMO SE DEU SUA ENTRADA NA TELEVISÃO?

Estreei como repórter do Fantástico. Em seguida, fui deslocada para o Globo Esporte. Gosto de TV. Não saberia viver de outra maneira.

05 - VOCÊ ADAPTOU EM 2007 A NOVELA AMIGAS E RIVAIS, TRAMA MEXICANA, QUE FOI EXIBIDA NO SBT E NA QUAL HOUVE CORTES NA RETA FINAL. COMO VOCÊ LIDA COM ESSAS SITUAÇÕES E QUAL FOI A PIOR EXPERIÊNCIA, COMO AUTORA, QUE VOCÊ TEVE?

A novela Amigas e Rivais foi a maior alegria da minha carreira até aqui. Foi uma adaptação em que tive liberdade do meio em diante. No começo, só podia mudar os diálogos, sem tirar ou acrescentar cenas. Era muito tolhido. Impossibilitava a real adaptação ao Brasil. Infelizmente, houve um rompimento da Televisa com o SBT na reta final e isso fez com que a novela sofresse as conseqüências. Tivemos muitas mudanças de horário que nos prejudicaram. Mas faz parte. Hoje penso que a emissora está mais madura e não altera tanto os horários. É um avanço. Não tive experiências ruins. Tudo é válido.

06 - QUAL A NOVELA QUE VOCÊ GOSTARIA DE TER ESCRITO?

Dancin Days do Gilberto Braga.

07 - VOCÊ GOSTA DE FAZER ADAPTAÇÕES? QUAL VOCÊ AINDA TEM VONTADE DE FAZER?

Estou aberta a qualquer trabalho . Não tenho preconceito com adaptação. Sendo uma novela bacana é uma honra adaptar.

08 - O MERCADO DE TRABALHO PARA UM JOVEM ROTEIRISTA É UM DESAFIO. VOCÊ ACHA QUE HOUVE UMA MELHORA NESSE SETOR, COMPARADO AOS ANOS 90?

Ainda é complicado. Os novatos têm dificuldade em entrar no mercado. Ninguém em sã consciência entrega uma novela solo a um novato. São milhões ali investidos. O profissional deve ter consciência disso. Cada passo de uma vez.

09 - LETÍCIA, VOCÊ FOI COLABORADORA DE MANOEL CARLOS, EM POR AMOR, UM DOS MAIORES SUCESSOS DA DÉCADA DE 90. QUAL O MAIOR APRENDIZADO QUE VOCÊ TEVE, AO TRABALHAR COM UM DO MAIORES REFENCIAIS DA NOSSA TELEDRAMATURGIA?

Foi minha estréia em novelas. A convite do Maneco. Uma experiência profissional e de vida muito rica. Admiro o trabalho dele. Mas não gostaria de repetir essa experiência. Foi um rio que passou em minha vida.

10 - A REDE RECORD VOLTOU A INVESTIR EM TELEDRAMATURGIA DESDE 2004, COM “A ESCRAVA ISAURA” DE TIAGO SANTIAGO. COMO VOCÊ VÊ ESSA QUEBRA DO MONOPÓLIO DA TELEVISÃO BRASILEIRA, NÃO SÓ NA ÁREA DE TELEDRAMATURGIA?

Excelente para todos os profissionais e também para o público. O povo é apaixonado por dramaturgia. Além disso, é a maior fonte de recursos que a TV recebe. Não se pode ter apenas uma rede investindo em novelas. Ficamos reféns deles... É fundamental a concorrência.

11 - SEUS TEXTOS, NA MAIORIA DAS VEZES, PRIMAM PELO HUMOR. É UMA ÁREA QUE VOCÊ GOSTA MAIS DE TRABALHAR? VOCÊ PREFERE DRAMA OU COMÉDIA?

Novela tem de ter todos os ingredientes e o humor é um deles. Como os personagens ficam simpáticos ao público acabam se destacando. Mas não me considero especialista. Gosto da dramaturgia como um todo. O drama tem seu valor. O humor serve para a trama respirar. É o chamado COMIC RELIEF: a pausa para a respirada com o riso. Ninguém suportaria ver uma novela com 45 min diários de dramalhão. O riso faz a trama ganhar ritmo e fôlego. Dá tempo de o público acalmar o coração até o próximo drama.

12 - QUAL A DIFERENÇA ENTRE UM ROTEIRO DE NOVELA E DE UM PROGRAMA DE HUMOR?

Tudo é diferente. Não há nem como buscar diferenças. Teria de tentar achar alguma semelhança... O ritmo é outro, a seqüência de cenas é outra, a agilidade dos diálogos é outra...

13 - A MAIORIA DOS AUTORES, ESCREVE COM UMA EQUIPE. VOCÊ ESCREVE SOZINHA OU COM COLABORADORES?

Até hoje em meus trabalhos solo escrevi sozinha. Para mim é mais prático. Sou rápida e desenvolvo os capítulos na medida em que penso a trama. Abro o computador e deixo fluir.

14 - QUAL A MAIOR DIFICULDADE AO ADAPTAR UMA TRAMA MEXICANA?

A verba. A novela mexicana tem muitas viagens, muitos personagens, muita reviravolta. Para adaptar temos de cortar muito da trama original. Com isso, os fãs estranham um pouco. Além de algumas situações não serem críveis para a realidade brasileira. A cabeça do público é outra. Não se pode contar a história da mesma maneira.

15 - QUAIS OS ATORES COM QUEM VOCÊ SONHA EM TRABALHAR?

Com os bons e os ótimos. Os pingüins sem sal e os sem talento não me interessam.

16 – QUE CONSELHO VOCÊ DÁ PARA UM JOVEM QUE PENSA EM SE AVENTURAR PELA ÁREA DE ROTEIRISTA DE TV E CINEMA?

Escreva muito, leia muito, assista muitos filmes e novelas, observe o desenrolar do roteiro, a edição. Da observação vem a melhor escola.


Quero expressar aqui minha satisfação em ter conhecido essa grande mulher que é Letícia Dornelles!! Valeu Tia! Hehehehe!